Para a maior Glória de Deus

Hoje é dia do Santo Fundador dos Jesuítas, Santo Inácio de Loyola.

Para o texto de hoje, gostaria de propor uma meditação a respeito da vida deste santo.

Santo Inácio, antes de santo, era um jovem cortesão, “um homem dedicado às vaidades do mundo e, sobretudo, comprazia-se no exercício das armas com grande e vão desejo de com isto ganhar fama.” Como nos conta sua história, aos 25 anos foi enviado pelo duque de Najera para defender a cidade de Pamplona, para defender a fronteira do Reino de Castela da invasão franco-navarrense. Lá, as tropas fiéis não têm esperança de vitória, mas Inácio encoraja vivamente seus companheiros de armas e parte para a batalha.

A batalha realmente tem início, partindo das ordens de seu líder. Entretanto, logo que é ferido em suas pernas, o combate chega ao fim. A ferida ainda não é causa da mudança na alma de Inácio.

Meu intuito aqui não é focar na lesão do fúturo santo, mas na circunstância em que se encontrava. Inácio era um soldado, buscava suas glórias nas batalhas de seus senhores e tinha altas aspirações, todávia, acamado não possuia mais senhor a quem servir.

É surpreendente que, nessse momento, tenha encontrado a Legenda Áurea e, nela, descoberto exemplos maravilhosos de soldados de piedade heróica que serviram ao mesmo Senhor. Em especial, Inácio descobre as histórias de São Francisco e São Domingos de Gusmão, a quem começa a imitar os passos. É surpreendente como a partir da leitura da vida desses santos, um homem mude de vida. Aqui é um ponto fantástico na vida desse santo! Muitas vezes fazemos leituras das vidas dos santos que não nos mudam, fazemos leituras sobre espiritualidade que não nos aprofundam na piedade e na conversão, leituras apenas para chegar ao fim do livro e começar outro, mas Santo Inácio leu e meditou. Nele encontrou o caminho que deveria seguir.

Inácio não para aí, desenvolve seu método de exercícios espirituais e desenvolve o que tanto nos falta na modernidade: consciência. Muito se fala sobre conscientização, é verdade, mas pouquissímo as pessoas param para conscientizar a si próprias. Queremos sempre mudar os outros, mas tão difícil é olhar para dentro de nós e mudar a nós mesmos. Como diria Jordan Peterson, estamos preocupados demais em organizar o mundo enqunto não organizamos o nosso próprio quarto. O primeiro ponto da vida dos santos é a vida interior.

Mas enganá-se quem pensa que termina aí. O santo de Loyola é movido por uma verdadeira caridade, que parte do conhecimento de si mesmo e do conhecimento de Deus. Depois de organizado o próprio quarto, ele não sai reorganizando o mundo à sua imagem e semelhança, mas começa a catequisar as crianças e pregar aos homens nas praças, chamando-os à conversão. Poderíamos acrescentar a carta de São Paulo aos coríntios: “A pregação sem a caridade, nada vale” é estéril, e isso é o que nos diferencia do fundador dos Jesuítas novamente. Ele tem desejo de almas não para si e sua causa, mas para Deus.

Como todos os santos, Santo Inácio é um exemplo para nós, de como nos falta olhar para dentro de nós, para nossa própria miséria; aprender com o santos e reconhecer a Verdade gritante neles, como são verdadeiros e não fantasias; e, por fim, agir com a caridade e liberdade de Deus, não para nós, mas para a Maior Glória de Deus.

Santo Inácio de Loyola, rogai por nós.

Bibliografia: “Santo Inácio de Loyola e a Companhia de Jesus” de Alain Guillermou (disponível em † Livros Católicos para Download em alexandriacatolica.blogspot.com)