São José, o exemplo

São José, O pai dos pais! São José, O exemplo dos trabalhadores!

“Ora, a origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente. Mas, no que lhe veio esse pensamento, apareceu-lhe em sonho um anjo do Senhor, que lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus-conosco. Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa. E, sem que antes tivessem mantido relações conjugais, ela deu à luz o filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.”

Assim se narra um exemplo singular da conduta de um homem cheio de dúvidas, cheio de medos, cheio de sonhos: assim é a vida de um pai, esse é São José, o pai dos pais. Falar de São José é algo familiar. Sou nascido e criado em uma cidade que tem por padroeiro o próprio santo (Assaí/PR, aproximandamente 50 Km de distancia de Londrina/PR), o dia 19 de março (Solenidade de São José) sempre foi de culto e respeito ao santo pai de Jesus. Na minha pequeneza, tento imaginar o que ocorreu com São José quando soube do que acontecia com Nossa Senhora, ela jovem e prometida a ele em casamento surge com a notícia da gravidez do menino Jesus, em nenhum momento ele pensa em si próprio, nos seus sonhos, nas suas necessidades, ele decide em silêncio abandoná-la no anoitecer, pois se viesse a público a notícia ela seria a mais prejudicada, assim é a vida de um pai (sem comparações com o santo, ou querer colocar a figura do pai num pedestal), é sair um pouco de cena, é saber se colocar no seu local de ação, sendo suporte pra mãe e fonte de exemplo e sustento para os filhos.

Quando a Andressa, minha amada esposa me deu a notícia de que estava grávida pela primeira vez, eis que chegaria Maria Clara, eu senti uma mistura de sentimentos, algo que jamais havia sentido, inexplicável, uma sensação ímpar, a felicidade foi imensa, era um fim de tarde, quando chegou a noite eu custei a dormir, muitas questões vieram ao meu coração, teria eu condições de criar esse filho? Seria eu exemplo pra essa criança? O que ganhávamos daria pra bancar as despesas? Saberia eu educar uma criança? Como ia ser os nossos dias daqui pra frente? E na hora da faculdade? E se ela quisesse ir à Disney? E os 15 anos? Teria eu capacidade de falar de Deus pra esse filho? Enfim foram várias questões mesmo, muitas também foram as preocupações, elas existem muito mais ainda hoje.

Porém é aqui que nesse ponto, nas perguntas, nas dúvidas, que São José me ensinou e ensina a cada pai de primeira viagem, e também os de segunda e terceira, ele descansa e dorme, no versículo vinte do capítulo primeiro do evangelho de São Mateus, eis  que nessa ação de dormir, num sono divino, surge um fato, o sonho de São José, a palavra de Deus fala que um homônimo de São José, José do Egito (Gênesis 37, 5 ss), também era sonhador, e ambos os sonhadores e seus sonhos nos ensinam por demais. Esse sonho divino tem a presença de um anjo do Senhor, Deus faz o sobrenatural acontecer na vida desse pai, desse santo, Deus se revela pra São José, acalma seu coração, acalma suas dúvidas e da a receita completa do que fazer com a mãe, que ele deve ser suporte, e com o filho, que ele deve ser fonte de sustento e exemplo. Nessa dinâmica ocorrida com São José, existem duas condições pra todo pai, a primeira é o sonho, ser pai é viver um sonho, não é fácil em todo tempo, não é tranquilo, se perde a paciência, se perde noites de sono, se perde a melhor parte do bolo, se perde muito, porém se ganha mais ainda, São José foi conduzido por caminhos que ele não planejou, foi ao Egito (Mateus 2, 13), e ficou lá até que o Senhor o avisasse, e na volta, avisado mais uma vez, foi a Nazaré (Mateus 2, 23), assim é a vida de São José e de qualquer pai que assuma seu papel de frente, com coragem e com sabedoria. Os planos para sua vida e sua família são os de Deus e não mais os seus. Nessa hora penso em meu pai, quais eram os sonhos dele, as vontades que existiam, enfim elas deixaram de existir, pois novas nasceram com a chegada dos seus filhos, mas uma coisa é certa meu pai, eu e São José passamos a viver um sonho quando nos tornamos PAI. A segunda dinâmica que ocorre é o sobrenatural, a presença de Deus, São José de forma brilhante pensava em deixar Nossa Senhora em segredo, mas aí surge Deus e muda o ruma da história, creio e tenho fé que foi assim com meu pai, e lhes garanto com toda a minha vida, alma e coração que foi comigo, enxergar o Senhor Deus nos mínimos detalhes foi e é, a coisa mais incrível de todas. Quando a Andressa ficou grávida pela segunda vez, chegava João Davi na nossa casa, vinha um homem de nome forte e de exemplo maior ainda (seu nome é uma simples homenagem a São João Batista, Davi ficou por conta da mãe que é fã do nome, juntamos e deu tudo certo), e as emoções foram grandes, só não forma mais que a Presença de Deus em nossa família. João nasceu no dia 12/07/2018, forte, gordinho, com 4 Kg, 52 cm e era uma dose duplicada de felicidade, Deus nos abençoava mais uma vez, porém, no segundo dia da vida do João Davi foi visto, detectado, como se Deus nos avisasse em sonho, uma hipertensão pulmonar, foram 13 dias de UTI e UCI, dia de angústia, vi pais e mães com problema muito maiores que os nossos, uma criança faleceu nesse tempo na UTI do hospital, foram vários os ensinamentos que tive e tivemos naqueles  dias de luta, de agonia, mas também da presença de Deus, presença essa nos enfermeiros, nos médicos, nas moças da limpeza, nos pais e mães companheiros de missão na UTI, nas nossas famílias, nossos amigos, nosso grupo de oração, o Resgate Família, e de forma maior em minha esposa, Andressa havia sofrido muito no parto da Maria, foram horas terríveis, porém no parto do João ela estava bem e firme, e eu ali aos moldes de São José, tentando dar o suporte necessário, enfim em tudo isso pude notar a presença de Deus, assim como São José notou, na ida ao Egito, na volta à Nazaré, no decorrer da palavra de Deus, vai dizer que ele, São José, e Nossa Senhora voltaram juntos pra Jerusalém, para buscar o menino Jesus que, no pensar deles, tinha se perdido da caravana em foram para que celebrar a Páscoa (Lucas 2, 44-45), em tudo isso havia sempre a doce e majestosa presença de Deus.

São José no ensina que sonhar os sonhos de Deus, e que estar na presença de Deus basta, não precisamos planejar muito, pois um bom Pai vive o sonho de Deus todos os dias e ele se encontra com Deus todos os dias, na figura dos seus filhos, seja na exortação ou no amor, ali sempre vai existir a ação de Deus.

Que sejamos exemplares de São José, prontos viver os sonhos e as presenças de Deus em nossas vidas.

**Dedico essas palavras a meu pai Josué Libanio e a meus filhos Maria Clara Libanio e João Davi Libanio, a quem amo tanto e me ensinam tanto.